Publicada em 01 de Setembro de 2010 às 21h53 Versão para impressão
A filha do candidato do PSDB à presidência, José Serra, teve seu sigilo fiscal quebrado. Num primeiro momento, a Receita Federal afirmou que a própria Verônica Serra tinha pedido informações sobre o Imposto de Renda dela, por meio de uma procuração. Mas, nesta quarta-feira, ficou provado que a procuração era falsa. Verônica Serra foi a quinta pessoa ligada ao tucano a ter o sigilo quebrado ilegalmente.
A Receita Federal informou que o acesso às declarações do Imposto de Renda da empresária Verônica Allende Serra foi feito no dia 30 de setembro do ano passado.
Uma semana antes, na agência de Mauá, em São Paulo, foi quebrado ilegalmente o sigilo de outras quatro pessoas ligadas ao PSDB: Eduardo Jorge, vice-presidente do partido, Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro do governo Fernando Henrique, Gregório Marin Preciado, marido da prima de José Serra, e Ricardo Sérgio Oliveira, ex-caixa de campanha do PSDB.
As declarações de Verônica Serra foram acessadas na agência de Santo André, em São Paulo, pela servidora Lúcia de Fátima Gonçalves Milan. Na segunda-feira, a Corregedoria da Receita abriu processo disciplinar contra a servidora. Ela foi citada para se defender da acusação de vazamento de informações. Mas na última terça, um dia depois, a Receita informou que Lúcia de Fátima era inocente, que acessou as declarações de Imposto de Renda para cumprir uma obrigação profissional.
A Receita isentou a servidora de culpa com base num pedido de cópia das declarações do Imposto de Renda de Verônica Serra de 2007 a 2009. O suposto documento tem uma assinatura, reconhecida em cartório como sendo de Verônica. Mas tanto a assinatura quanto o reconhecimento são falsificações.
“A gente atendia, em média, 40 pessoas por dia. Não sou perita criminal, sou analista da Receita, a minha função é orientar contribuinte sobre Imposto de Renda, fornecer cópia de declaração, essas coisas”, declarou Lúcia de Fátima Milan.
Quem assina o documento falsificado apresentando-se como procurador de Verônica Serra é um homem chamado Antônio Carlos Atella Ferreira. Foi ele quem recebeu as declarações.
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