Publicada em 19 de Fevereiro de 2011 às 01h02 Versão para impressão
Amy nunca aceitou notas menores que dez. Luisa conta que, só uma vez, teve um nove. Os princípios da mãe tigresa são bem rígidos:
- Nunca dormir fora de casa;
- Nunca brincar com outras crianças;
- Não assistir TV nem jogar videogames;
- Ser sempre a primeira em tudo;
- Tocar piano ou violino com perfeição.
“Eu sou a mãe tigresa”, diz Amy. Digo às minhas filhas que elas são as melhores e que eu vou lutar por isso, custe o que custar.
Alguns detalhes que assustaram os americanos, que em geral criam os filhos de maneira permissiva e politicamente correta. Causou especial irritação saber que Amy chama as filhas de "lixo" quando desobedecem a mãe. Amy foi chamada de monstro e acusada de maltratar as meninas.
Nós ouvimos duas professoras da escola de pedagogia da Columbia University. Celia Genishi, de origem japonesa, acha o livro é ótimo e diz que os exageros de Amy estão sendo tirados do contexto. “Fica claro”, ela diz, que Amy e o marido têm uma relação de amor com as meninas e isso é o que importa.
Já a brasileira e professora de pedagogia Mariana Souto-Manning diz que o tipo de educação dado por Amy Chua sacrifica a felicidade das filhas.
“Uma das filhas diz: ‘eu não tenho amigas’. Então na realidade o que ela está fazendo é criando um modelo acadêmico de sucesso, mas o que é que conta como sucesso, o que é que determina o que é sucesso, o que é felicidade?", argumenta Mariana.
Nas ruas de Nova York, as mães americanas, mesmo as de origem asiática, não seguem a cartilha de Amy Chua.
Não se pode tirar toda a diversão, diz esta, e pergunta à filha: ‘você acha que as crianças devem se divertir?’ Resposta: sim, e nunca fazer dever de casa.
Uma outra foi criada na China, e diz que lá é muito mais duro e tem mais castigos. Nos Estados Unidos, as crianças não são castigadas. Os americanos ouvem as crianças. Isso é muito melhor.
Uma delas resume o que todas pensam: “nós somos boas mães”.
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