Foto: Stock Exchange
Para pesquisadora, debate sobre desarmamento é mai
Brasília – A morte de 12 adolescentes e ferimentos em mais 12 na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro, no último dia 7 de abril, chocou o país. Wellington Menezes de Oliveira, ex-aluno, entrou na escola, invadiu duas salas de aula e atirou nos alunos.
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A gravidade e a repercussão da tragédia colocaram em pauta a validade de um plebiscito sobre o comércio legal de armas no Brasil ocorrido há seis anos, Naquela ocasião, 64% dos brasileiros, que votaram no referendo popular, foram contra à proibição da comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional.
Por causa do massacre de Realengo, o tema do desarmamento voltou à pauta dos debates políticos, trazido pelo presidente do Senado Federal, senador José Sarney (PMDB-AP).
Para falar sobre o assunto, a Agência Brasil entrevistou a socióloga Maria Stela Grossi, do Núcleo de Estudos sobre Violência e Segurança da Universidade de Brasília. Ela é autora do livro Sociologia da Violência.
Agência Brasil - A sociedade brasileira é violenta? O episódio na Escola Municipal Tasso da Silveira destoa em quê de outros casos de violência no país?
Maria Stela Grossi Porto - Acho que há um traço autoritário e violento na sociedade brasileira. Estamos vivendo um movimento que me parece mais ou menos paradoxal. Por um lado, há um acirramento dessa sociabilidade violenta, a sociedade que tem a violência como primeira alternativa para a resolução dos seus conflitos. Por outro lado, a reação que isso provoca no conjunto da sociedade demonstra que não é algo que atinge a sociedade como um todo, há um aumento na nossa sensibilidade. Parte da sociedade tende cada vez menos a aceitar a violência, sobretudo quando vista como uma violência gratuita. Esse episódio destoa em relação aos outros, tem características próximas de sociedades, como a americana, na qual há um dado de gratuidade da violência muito grande. O fato de envolver crianças também causa mais comoção ao fato.
ABr - Há explicação para o que aconteceu?
Stela Grossi - Do ponto de vista individual, a psicologia e a psicanálise certamente vão encontrar explicações que vão da ordem das patologias particulares. Do ponto de vista da sociologia, o que importa é ultrapassar a questão pessoal e refletir sobre a natureza da sociedade nas quais coisas, atos e tragédias desse tipo acontecem. Pode se dizer que [o episódio] é resultado de frustrações, medos, raivas, invejas que vão ter causas na infância e na adolescência; mas as formas de expressar frustrações têm raízes sociais.