Foto: foto: MPF/MS
Barraca de lona queimada -
Os índios Kaiowá Guarani defendem suas terras contra grandes interesses...
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Cacique Nísio acampado em Tekoha Guaiviry
A Polícia Federal e uma comitiva com integrantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e conselho Aty Guassu (Grande Assembleia Guarani) estão no acampamento Tekoha Guaiviry, entre os municípios de Amambai e Ponta Porã (MS), onde uma comunidade Kaiowá Guarani foi atacada por um grupo com cerca de 40 pistoleiros - munidos com armas de groso calibre - na sexta-feira. O massacre ceifou a vida do cacique Nísio Gomes, 59 anos, executado com tiros de calibre 12. Depois de morto, o corpo do indígena foi levado pelos pistoleiros, prática usada também em outros massacres cometidos contra os Kaiowá Guarani no MS. As informações são preliminares e transmitidas por integrantes da comunidade. Não se sabe se além de Nísio outros indígenas foram mortos, aparentemente, sim. Os relatos dão conta de que os pistoleiros sequestraram mais dois jovens e uma criança e apontam também para o assassinato de pelo menos uma mulher e uma criança.
“Estavam todos de máscaras, com jaquetas escuras. Chegaram ao acampamento e pediram pros índios deitarem no chão. Portavam armas calibre 12”, disse um indígena da comunidade que presenciou o ataque e terá sua identidade preservada por motivos de segurança.
Conforme relato do indígena, o cacique foi executado com tiros na cabeça, no peito, nos braços e nas pernas. “Chegaram para matar nosso cacique”, afirmou. O filho de Nísio tentou impedir o assassinato do pai, segundo o indígena, e se atirou sobre um dos pistoleiros. Bateram no rapaz, mas ele não desistiu. Só o pararam com um tiro de borracha no peito. Na frente do filho, executaram o pai. Cerca de dez indígenas permaneceram no acampamento. O restante fugiu para o mato e só se sabe de um rapaz ferido pelos tiros de borracha – disparados contra quem resistiu e contra quem estava atirado ao chão por ordem dos pistoleiros. Este não é o primeiro ataque sofrido pela comunidade, composta por cerca de 60 Kaiowá Guarani. Eles reivindicam as suas próprias terras, onde vivem antes da colonização há mais de 500 anos.
Decisão dos índios é de permanecer em suas terras
Desde o dia 1º deste mês os indígenas ocupam um pedaço de terra entre as fazendas Chimarrão, Querência Nativa e Ouro Verde em Território Indígena de ocupação tradicional dos Kaiowá. A ação dos pistoleiros foi respaldada por cerca de uma dezena de caminhonetes – marcas Hilux e S-10 nas cores preta, vermelha e verde. Na caçamba de uma delas o corpo do cacique Nísio foi levado, bem como os outros sequestrados, estejam mortos ou vivos. “O povo continua no acampamento, nós vamos morrer tudo aqui mesmo. Não vamos sair do nosso tekoha”, afirmou o indígena.
Ele disse ainda que a comunidade deseja enterrar o cacique na terra pela qual a liderança lutou a vida inteira.
“Ele está morto. Não é possível que tenha sobrevivido com tiros na cabeça e por todo o corpo”, lamentou. A comunidade vivia na beira de uma rodovia estadual antes da ocupação do pedaço de terra no tekoha Kaiowá. O acampamento atacado fica na estrada entre os municípios de Amambai e Ponta Porã, perto da fronteira entre Brasil e Paraguai.
Conforme recente publicação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) sobre a violência praticada contra os povos indígenas do MS nos últimos oito anos, no estado está concentrada a maior quantidade de acampamentos indígenas do País, 31 - há dois anos, em 2009, eram 22. São mais de 1200 famílias vivendo em condições degradantes à beira de rodovias ou sitiadas em fazendas. Expostas a violências diversas, as comunidades veem suas crianças sofrerem com a desnutrição – os casos somam 4 mil nos últimos oito anos - e longe do território tradicional. Atualmente, 98% da população originária do estado vivem efetivamente em menos de 75 mil hectares, ou seja, 0,2% do território estadual. Em dados comparativos, cerca de 70 mil cabeças de gado, das mais de 22,3 milhões que o estado possui, ocupam área equivalente as que estão efetivamente na posse dos indígenas hoje. Com relatório em fase de conclusão pela Fundação Nacional do Índio (Funai), a área ocupada pela comunidade está em processo de identificação desde 2008. Por conta disso, o ataque tem como principal causa o conflito pela posse do território. A região do ataque fica a meia hora da fronteira com o Paraguai. Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público Federal (MPF), referente ao processo de demarcação da Terra Indígena, está em execução. Do lado de lá estão grandes fazendeiros e megainteresses das empresas que se dedicam à pecuária, plantio de soja ou agronegócios. Neste último sertão do Brasil, aqui também a luta ruralistas X ambientalistas (no caso, os índios Kaiowá Guarani) que no Senado discute o novo Código Florestal. A realidade de violência invade esta dicussão, como comentou o ecologista Padinha (Folha Verde News) ao receber a informação do Cimi.
A luta dos Kaiowá Guarani é pelas suas próprias terras
Eles estão sendo exterminados violentamente diz o Cimi
Região sul de MS, onde cacique Kaiowá teria sido morto, é palco de constantes conflitos armados
A região onde houve ataque armado contra índios Guarani Kaiowá – que, segundo informações de entidades ligadas ao setor indígena, ocasionou o assassinato do cacique Nísio Gomes, 59 anos – é palco de constantes disputas entre fazendeiros e indígenas. A vítima liderava o acampamento Tekoha Guaviry, entre Ponta Porã e Amambai. O sul do Estado, onde habitam os cerca de 30 mil componentes das etnias Guarani Kaiowá e Guarani Ñadeva, é um dos locais onde mais há conflitos por terras. Por ora, as polícias Federal e Civil, Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) e Fundação Nacional do Índio (Funai), estão com representantes no local para investigar o caso, que é tratado pelo MPF-MS como desaparecimento. Em 2009, assassinatos de dois professores da mesma etnia de Nísio causou indignação em todo o Estado. Genivaldo Vera e Rolindo Vera foram executados em Paranhos. Exame de DNA confirmou que corpo encontrado em um córrego naquele município era de Genivaldo. Inclusive o Exército precisou ser acionado pelo MPF-MS para atuar nas buscas. Já o corpo de Rolindo não foi encontrado. Em maio de 2011, índios Kaiowá também ocuparam fazendas nas terras conhecidas como Laranjeiras Ñanderu, no município de Rio Brilhante. Já em 2009, eles tentaram reocupar terras que consideram como suas tradicionalmente. São cerca de 400 pessoas acampadas à margem da BR-163.
Fontes: www.capitalnews.com.br
Conselho Indigenista Missionário (Cimi)
http://folhaverdenews.blogspot.com
Um adolescente de 14 anos, filho do cacique desaparecido desde sexta-feira (18) em um acampamento que fica na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul com Paraguai, relatou que cerca de 40 pistoleiros invadiram o local disparando balas de borracha. “Atirou no meu pai na cabeça”, relatou o jovem que tentou escapar, mas acabou atingido.
O indígena kaiwá Valmir Gonceles Cabral, que também é filho do cacique, disse não saber o paradeiro de seu pai. “Não sei onde está o corpo do meu pai. Eu queria ver o corpo do meu pai”, afirmou.
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Após ataque, líder de acampamento indígena está desaparecido, diz Funai
Entenda o conflito entre indígenas e produtores rurais no sul de MS
A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o caso. Os indígenas afirmam que o líder religioso do acampamento Guaviry, situado em fazendas entre os municípios de Aral Moreira e Amambai, região sul do estado, teria sido morto a tiros pelo grupo de pistoleiros. Para a Funai, o cacique está desaparecido.
A perícia policial colheu fragmentos de munição e vestígios de sangue no acampamento. Exames devem apontar se as amostras são de material humano. Os acampados relatam ainda que o corpo do cacique teria sido colocado em uma caminhonete.
Local onde fica o acampamento indígena alvo de suposto ataque (Foto: Arte/G1)Local onde fica o acampamento indígena alvo
de suposto ataque (Foto: Arte/G1)
Outro caso
Em agosto deste ano, índios do acampamento Puelito Kue, em Iguatemi, também no sul do estado, foram atacados por grupos armados, segundo o Ministério Público Federal. O acampamento teria sido incendiado e pelo menos três pessoas ficaram feridas após serem atingidas por tiros de bala de borracha, informou o MPF.
À época, o órgão pediu abertura de inquérito para apurar crimes de genocídio que teriam sido praticados contra os indígenas da etnia guaraní-kaiwá.
Nota de repúdio
A Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS), publicou nota de repúdio na sexta-feira (18) sobre o caso. No texto, os membros classificam os fatos como crime hediondo e defendem punição severa para os envolvidos.
Veja o vídeo abaixo:
http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/noticia/2011/11/pistoleiro-atirou-na-cabeca-diz-filho-de-cacique-desaparecido-em-ms.html